Santa Mãe e Santo Filho de agosto

28 de agosto de 2010

Amanhã é dia de santo Agostinho. Ele nasceu em Tagaste, na África no ano de 354. Depois de viver uma vida desregrada se converteu e recebeu o batismo com 33 anos de vida. Aí levou uma vida de ascetismo, ou seja, de grande espiritualidade, levou a sério a sua vida cristã. Deixou-nos inúmeros escritos de uma rara beleza. Entre tantos reflitamos este:

 

“Ouvi tua voz lá do alto:

“Eu sou o alimento dos grandes. Cresce e me comerás.

Não me mudarás em ti como o alimento de teu corpo,

mas tu te mudarás em mim…

Tarde te amei, ò beleza tão antiga e tão nova,

tarde te amei!

Eis que estavas dentro e eu fora.

E aí te procurava e lançava-me nada belo ante a beleza que tu criaste.

Estavas comigo e eu não contigo.

Seguravam-me longe de ti as coisas que não existiriam,

se não existissem em ti.

Chamaste, clamaste e rompeste minha surdez,

brilhaste, resplandeceste e afugentaste minha cegueira.

Exalaste perfume e respirei.

Agora anelo por ti.

Provei-te, e tenho fome e sede.

Tocaste-me e ardi por tua paz”. 

                                Monica e Agostinho  

Quem não sabe que a sabedoria de Agostinho foi estimulada desde o berço quando ouvia sua santa mãe, Mônica? Por isso hoje a festejamos (27 de agosto) e a vemos como exemplo de perseverança no seu propósito de converter do mal caminho o seu filho. Mônica chorou por 30 anos para ver o seu filho no bom caminho e conseguiu, viu o seu desejo ser realizado muito além do que supunha. Ouçamos o que diz Agostinho nos relatando os últimos momentos de sua mãe.

 

“Estávamos hospedados em um hotel na cidade de Óstia Tiberina. Falávamos a sós, com muita doçura e, esquecendo-nos do passado, com os olhos no futuro, indagávamos entre nós sobre a verdade presente, quem és tu, como seria a futura vida eterna dos santos, que olhos não viram (I Cor 2,9).  Então ela disse: “Filho, quanto a mim nada mais me agrada nesta vida. Que faço ainda e por que ainda aqui estou não sei. Toda a esperança terrena já desapareceu. Uma só coisa fazia-me desejar permanecer por algum tempo nesta vida: ver-te cristão católico, antes de morrer. Deus me atendeu com a maior generosidade, porque te vejo até como seu servo, desprezando a felicidade terrena. Que faço aqui?”

buscando o ceu

         Cinco dias depois, caiu com febre. Doente, um dia desmaiou, sem conhecer os presentes. Corremos para junto dela, mas recobrando logo os sentidos, viu-me a mim e a meu irmão e disse-nos: “Sepultai vossa mãe”. Eu me calava e retinha as lagrimas. Mas meu irmão falou qualquer coisa assim que seria melhor não morrer em terra estranha, mas na pátria. Ouvindo isto, ansiosa, censurando-o com o olhar por pensar assim voltou-se para mim: “Vê o que diz.” Depois falou a ambos: “Ponde este corpo em qualquer lugar. Não vos preocupeis com ele. Só vos peço que vos lembreis de mim no altar de Deus, onde quer que estiverdes”.

Aos cinqüenta e seis anos de idade e no trigésimo terceiro da minha vida, aquela alma piedosa e santa libertou-se do corpo”.

 

Santa Mônica e santo Agostinho roguem por nós!

VAMOS MEDITAR? (VI)

28 de agosto de 2010

Quando não somos capazes de mudar uma situação, então somos desafiados a mudar a nós mesmos.                                              Vicktor Frankl

 

Quem ajuda a borboleta a sair do casulo, a mata. Há coisas que tem de vir de dentro para fora. A única saída é esperar… é quando não fazer nada, é fazer alguma coisa.

 

TUDO O QUE É BOM

DURA O TEMPO NECESSÁRIO PARA SER INESQUECIVEL.

 

VITÓRIA  é a arte de continuar, quando os outros resolvem parar.

 

Se você quer obter novos resultados, tenha novas atitudes.

 

Primeiro fazemos nossos hábitos, depois nossos hábitos nos fazem.                    John Dryden.

 

OS ERROS QUE COMETEMOS SÃO NOSSOS GRANDES MESTRES.

Na realidade seus erros são lições feitas sob medida e preparadas exatamente para você. Dê ao seu erro o respeito que ele merece, aprenda o que ele deseja lhe ensinar.

 

É impossível para um homem aprender aquilo que ele acha que já sabe.                                                          EPITETO.

 

É melhor estar, preparado para uma oportunidade e não ter nenhuma, do que ter uma oportunidade e não estar preparado.                                                                 Whitney Young

 

Quem te fala mal de outra pessoa, falará mal de ti também. 

                                                                        Provérbio turco

 

Uma vida não questionada não merece ser vivida.                                                                                             PLATÃO

 

Há coisas que só os olhos que choram podem ver direito.                                                                       Louis Veuillot

27 de agosto de 2010

Vamos ver agora a segunda parte da Terceira Semana Brasileira de Catequese que foi apresentada por alguns palestrantes, vamos resumir as palestras do frei Carlos Mesters e Francisco Orofino.

 

carlos mesters

francisco orofino

 

 

 

 

 

 

 

 Na primeira parte contemplamos a realidade atual em que vivemos, agora vamos analisá-la com a Bíblia nas mãos. Para que ela possa se

 

 

 

ILUMINAR

 

A EXPERIÊNCIA DO ENCONTRO PESSOAL COM JESUS

            Jesus foi catequista e catequizando, antes de ser um bom mestre ele foi um bom discípulo. Não devemos ver Jesus sendo formador nos três últimos anos de sua vida e os demais como um formando. O formador se forma formando os seus discípulos. O formando se forma convivendo com seu formador.

        catequese hoje

 

UMA NOVA EXPERIÊNCIA DE DEUS

            Para melhor conhecermos esta nova etapa de ver a realidade com os olhos da Bíblia voltamos no tempo do profeta Isaias. Em 587 a.c. Nabucodonosor, invadiu a Palestina e acabou com o Templo. O povo teve então que se refugiar em suas casas e foi neste espaço que eles viviam agora a sua fé. Por isso Isaias faz alusão a Deus usando palavras com pai, mãe, marido, irmão mais velho… Deus agora estava “em casa”. É este Deus que Jesus vai nos mostrar.

           

Olhando o grupo de catequese de Jesus aprendemos que ela tem suas características próprias, vejamos algumas: 

 

1- ACOLHER COM TERNURA – Não basta impor preceitos, é necessário curar as feridas do coração, acolher com ternura e bondade. Deus é um Deus terno.

 

2- DIALOGAR DE IGUAL PARA IGUAL – Escuta e diálogo. Conversar e fazer perguntas ajudar a refletir sobre os fatos, este é o jeito que Jesus evangelizava. Isso é próprio de quem se sente discípulo e não dono da verdade. Saber ensinar e aprender com os outros.

            Jesus usava Parábolas para incentivar as pessoas, não dava tudo pronto.

            É bom para o catequizando saber que o catequista acredita nele e na sua capacidade de assimilar.

 

3- REUNIR O POVO PARA REZAR A DEUS E FALAR DA VIDA - O fim da nossa missão é congregar o povo para Deus, reunir em comunidade e juntos partilhar a vida de cada dia.

            Antes de passar uma doutrina, Jesus passava uma experiência de Deus e da vida que ia de Jesus aos discípulos e dos discípulos ao povo.

4- REUNIR PARA ENVIAR – A convivência ao redor de Jesus, acabava no envio à Missão. Sem receber uma missão o chamado se torna vazio de sentido e direção.

 

5- NASCEM PARA O SERVIÇO – O grupo de Jesus se distanciava dos outros porque se interessava pelos pobres e excluídos. Ele criava nas pessoas uma consciência de serviço.

 

6- PARTILHA DOS BENS – No grupo de Jesus ninguém tinha nada de próprio mas havia uma caixa comum para todos e até para os pobres.

 jesus na catequese

JESUS ENSINAVA COM PARÁBOLAS

            Ele inventava história com as coisas da vida do povo para explicar as coisas de Deus. Isto supõem duas coisas:  conhecer bem o povo e Deus.

     As parábolas são uma forma participativa de ensinar e de educar. Não dá tudo pronto. Não faz saber, mas faz descobrir. Faz a pessoa refletir sobre si mesma. A parábola provoca a pensar. Ela leva a pessoa a se envolver na história a partir da sua própria experiência de vida.

      Um bispo perguntou numa reunião da comunidade: “Jesus falou que devemos ser como sal. Para que serve o sal?” discutiram e, no fim, partilhando entre si suas experiências com o sal, encontraram mais de dez finalidades para o sal. Aí eles foram aplicar tudo isto à sua própria vida e descobriram que ser sal é difícil e exigente! A parábola funcionou e ajudou-os a dar um passo. Iniciaram a travessia em direção ao Reino!

 

JESUS ERA UM FORMADOR ATENTO

 

            Não é porque a pessoa andava com Jesus que ela já era santa e renovada. O fermento dos fariseus (Mc 8,15) estava no coração do povo, e Jesus sabia disto. Hoje é o “fermento do consumismo”, que de nós exige uma vigilância constante.

            Vamos ver alguns casos em que Jesus orienta seus discípulos:

 

a) Mentalidade de Grupo Fechado.

Alguém fazia milagres e não era do grupo de Jesus, João viu e proibiu. O Mestre lhe diz: “Não impeça! Quem não é contra é a nosso favor!” (Lc 9,39-40). O que vale não é se a pessoa é ou não da comunidade, mas que ele faça o bem.

b) Mentalidade de quem se considera superior aos outros,

Certa vez os samaritanos não quiseram dar hospedagem a Jesus. Os discípulos quiseram reagir violentamente: “Que desça fogo do céu”. (Lc 9,54). Achavam que todos deviam acolher o Mestre. Que estando ao lado de Jesus deveriam ser tratados melhores do que os outros. Jesus os repreendeu: “Vocês não sabem de que espírito estão sendo animados” (Lc 9,55).

c) Mentalidade de competição e de prestigio,

     Os discípulos brigavam pelo primeiro lugar (Mc 9,33-34). Jesus convida a                       mudar este pensamento: “O primeiro seja o último” (Mc 9,35). Servir e não ser servido, é o ideal cristão.

d) Mentalidade de quem marginaliza o pequeno.

      Os discípulos tentam afastar as crianças, Jesus exclama: “Deixai vir a mim as crianças!” (Mc 10,14).

e) Mentalidade de quem segue a opinião da ideologia dominante.

      Vendo um cego os discípulos perguntam a Jesus: “Quem pecou os seus pais, ou ele, para nascer assim?” (Jo 9,2).  Jesus os ajuda a ter uma visão mais critica da realidade: “Nem ele nem seus pais, mas para que nele se manifestem as obras de Deus” (Jo 9,3). A resposta de Jesus supõe uma consciência nova e uma leitura diferente da realidade.

 

            Assim vemos que Jesus não se enganava com a cara de santinho do seu grupo, sabia do fermento que podia estar dentro de cada um, e tratava de curar pela raiz.

 

a catequese de Jesus      Vamos agora ver os recursos didáticos que o Mestre usou:

_ Testemunho de vida – Pregou com a vida. “Venham e veja!” (Jo 1,39). Ele se mostra em tudo fiel ao Pai, tanto no anuncio como na vida.

_ Sintoniza com a vida e com a natureza – Mesmo vivendo num mundo violento e de guerra Jesus convida os discípulos a ver a misericórdia do Pai na natureza e no seu dia a dia. (MT 5,45; 6,26-30).

_ Ensina em todo lugar – Onde havia gente para escutar aí estava o Mestre para ensinar. Nas sinagogas (Mc 1,21) nas casas dos amigos (Mc 2,1.15), na praia (Mc 4,1), no deserto (Mc 1,45), na montanha (MT 5,1).

_ Momento a sós com os discípulos  - Fica alguns momentos a sós com eles para descansar (Mc 6,31) ou para instruí-los (Mc 8,22-10,52).

_ Uso da Bíblia – Jesus orientava a sua vida e sua missão pelas Sagradas Escrituras. Ele a conhecia de cor e salteado, era o seu principal manual de catequese.

_ Cruz e sofrimento – Não escondia que a dor existe, não prometia só rosas. Ajudava-os a superar o escândalo da cruz (Mc 8,31-34).

 

_ Jesus reza – São inúmeros os momentos de oração do Mestre. Rezava com o povo e na solidão (Lc 4,1-2; 10,21; Mc 1,35; Lc 9,28; 9,16; MT 26,38). A vida de Jesus era uma oração permanente.

 discipulo-missionario

22 de agosto de 2010

PESCADOR DE PÉRoLAS  (poema vocacional)

 

 

Aproxima-te da aurora,

Para ti nascerá o sol;

Aproxima-te da noite,

Para ti brilharão as estrelas;

Aproxima-te do riacho.

Para ti cantará o sabiá;

Aproxima-te do silêncio,

Encontrarás a Deus.

 mergulhando atras da perola

Escondida lá no fundo

Jaz a pérola preciosa.

Como um pescador de pérola

Mergulha, mergulha fundo.

Como um pescador de pérola

Sem esmorecer teima,

Teima mais uma vez e procura.

Os que ignoram o teu segredo zombarão de ti.

E ficarás triste.

Mas não desanime pescador de pérola,

A pérola mais preciosa lá está

Escondida bem no fundo.

A tua fé te guiará até o tesouro

E fará que seja enfim revelado o que estava escondido.

Mergulha fundo, mergulha mais fundo ainda,

Como um pescador e procura,

Procura sem te cansar.

perola buscada e achadaSwâmi Paramananda, índia, séc. XIX

DIFERENTE faz a DIFERENÇA

19 de agosto de 2010

         

 

Um homem rico estava para morrer e fez o seu testamento, ele o escreveu assim:

 

“DEIXO MEUS BENS À MINHA IRMÃ NÃO A MEU SOBRINHO JAMAIS SERÁ PAGA A CONTA DO ALFAIATE NADA AOS POBRES”.

 

Morreu antes de fazer a pontuação. Os concorrentes eram quatro, cada um pontuou do seu jeito.

 

O SOBRINHO fez assim:

“DEIXO MEUS BENS À MINHA IRMÃ? NÃO, A MEU SOBRINHO. JAMAIS SERÁ PAGA A CONTA DO ALFAIATE. NADA AOS POBRES!”.

 

A IRMÃ por sua fez pontuou assim:

“DEIXO MEUS BENS À MINHA IRMÃ, NÃO A MEU SOBRINHO. JAMAIS SERÁ PAGA A CONTA DO ALFAIATE. NADA AOS POBRES!”

 

O ALFAIATE  puxou a brasa para a sardinha dele:

“DEIXO MEUS BENS À MINHA IRMÃ? NÃO! A MEU SOBRINHO? JAMAIS! SERÁ PAGA A CONTA DO ALFAIATE. NADA AOS POBRES”.

 

Aí, vieram os POBRES e assim escreveram:

“DEIXO MEUS BENS À MINHA IRMÃ? NÃO! A MEU SOBRINHO JAMAIS! SERÁ PAGA A CONTA DO ALFAIATE? NADA! AOS POBRES”.

 

Cada um dá a pontuação que quer

para a sua vida,

e isso faz toda a diferença.

 

15 de agosto de 2010

O MOMENTO  ATUAL TRAZ CONSIGO O IMPERATIVO DE REPENSAR A IDENTIDADE CRISTÃ. NO ÂMBITO DA CATEQUESE EMERGE COM FORÇA A PERGUNTA: O QUE SIGNIFICA SER CRISTÃO HOJE, EM NOSSA SOCIEDADE PLURAL. SER CRISTÃO NÃO É SIMPLESMENTE ACEITAR UMA DOUTRINA E SER FIEL A DETERMINADAS NORMAS, SEM DUVIDA, IMPORTANTES, MAS É SEGUIR UMA PESSOA QUE NOS ATRAI SI E CONQUISTA O NOSSO CORAÇÃO: JESUS DE NAZARÉ. É RESPONDER AO CHAMADO DE JESUS E COLOCAR-SE A CAMINHO, SEGUINDO SEUS PASSOS, MOVIDO PELA FORÇA DO SEU ESPÍRITO. É ENTRAR NA DINÂMICA PROCESSUAL DO DISCIPULADO.

Irmã Vera Ivanise Bombonatto, doutora em Teologia.

Vocação

14 de agosto de 2010

A Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, por meio da Pastoral Vocacional, realizará o 3º Congresso Vocacional do Brasil, de 03 a 07 de setembro, na cidade de Indaiatuba (SP).

3congvocacional

Isso nos convida a refletirmos sobre a vocação.

            Vocação significa chamado, Deus chama, Deus quer o ser humano ao lado dele em primeiro lugar. O Senhor chama cada pessoa para si, para fazer parte da sua vida e vida em abundância, assim como o Mestre Jesus atraía com o seu modo de ser e chamava pessoas simples do povo para realizar a missão, hoje também, Cristo conta com cada um (a), seja na vocação ao matrimônio, ao sacerdócio, à vida religiosa, e o que é comum a todos, o chamado à vida.

            O mês de agosto, tempo dedicado à reflexão sobre as vocações precisa nos motivar a pensar como temos vivenciado a nossa vocação, o nosso chamado…..o chamado de Deus e o projeto que Ele quer de cada pessoa é em direção a felicidade, mas será que tenho correspondido a esse amor do Mestre e portanto me aproximado cada dia dessa “FELICIDADE”?

 buscando a vocaçãoO vocacionado(a), portanto, todos nós, seremos plenamente felizes, somente quando o Espírito de Jesus, transparecer através de nós, quando brilhar em nós a abundância da vida e quando esta vida puder ser experimentada pelas pessoas através de nós.

            Frei Margon

Mais informações sobre o congresso no endereço: www.cnbb.org.br/site/eventos/congresso-vocacional.

13 de agosto de 2010

Sabemos de como é importante as fases iniciais da nossa fé, por isso vamos juntos ver o que a Terceira Semana Brasileira de Catequese apontou como caminhos para nós.

         Abaixo faremos um resumo das etapas do livro da TSBC. O livro segue o método ver-julgar-agir.

 pe joel portela

Padre Luiz

                         

A primeira etapa foi feita pelos padres Joel Portella e Luiz Alves de Lima é a etapa do

 

VER

 

CATEQUESE NUM MUNDO EM TRANSFORMAÇÃO – Desafios.

           

O conteúdo da catequese é a pessoa de Jesus Cristo morto e ressuscitado para nossa salvação. O caminho de seguimento dele é uma conseqüência do próprio conteúdo. É necessário tornar a vida de Jesus uma realidade dentro das pessoas e grupos, sem isso podemos transmitir uma doutrina correta, mas uma ação evangelizadora falha, ela pode chegar a mente mas não ao coração.

            Hoje somos todos expectadores das mudanças que estão ocorrendo, o que isso impõem para a catequese inicial? É o que vamos refletir.

            Primeiramente podemos afirmar que não estamos vivendo apenas uma época de mudanças, mas rigorosamente uma mudança de época.

Sempre há épocas de mudanças, com fatos e acontecimentos novos, mas hoje o que vemos é algo mais profundo, é uma mudança de época, pois estão acontecendo transformações de valores profundos, mudança de critérios de julgamentos.

 mundo em mudança

MUDANÇA DE ÉPOCA

            Hoje vivemos uma nova relação de espaço e tempo (basta para isso ver o uso da internet em nossa vida), novas formas de relacionamentos humanos e convívio pessoal e outras transformações.

Neste mundo moderno, vários conceitos estão em baixa e outros em alta. Vejamos alguns:

 

             EM BAIXA:                                               EM ALTA:

Instituição (família, escola, estado…)   - O individuo (é o centro do mundo)

Tradição  (transmissão de valores)       - Novidade ( mudanças de rumo)

Renuncia                                               - Fruição, o gozo, prazer imediato

Eterno, definitivo                                  - O transitório (o eterno enquanto dure)

Ética                                                       - Estética

Racionalidade                                        - Emotividade (não conta os motivos, mas os resultados).

 

            Importa ressaltar que não se trata de rejeição de um dos pólos, mas da supervalorização de um e a redução na importância do outro. Bom é saber que o “antes” não é melhor nem pior do que o “hoje”. Ainda mais: os valores em alta não se encontram antagônicos do evangelho, eles precisam sim serem adaptados aos ensinamentos de Jesus, serem “batizados”.

 

DOIS PERIGOS:

 

1)      Não reconhecer a realidade da mudança de época em que vivemos, e achar que se deve continuar a fazer como sempre se fez.

2)    Mergulhar na novidade sem distinguir o que é evangélico e o que não é.

 

O segredo é o DISCERNIMENTO.

 

NOVO JEITO DE LIDAR COM A RELIGIÃO

 

            Para ajudar no discernimento vamos usar duas imagens: a do FIEL e a do PIRATA.

            Fiel é aquele para o qual a vida se rege por praticas fixas, estáveis, repetitivas, voltadas para o sonho maior (vida eterna), normatizada pela instituição e obrigatória.

            O Pirata, não pára no porto, o que vale é navegar e pilhar, o que vale realmente são os seus interesses. Se vê um navio penso logo em se aproveitar. Ele não pertence a nenhum pais, e nenhuma instituição.

            O Fiel valoriza o pertencer, o Pirata quer o não-pertencer, estes são os sem religião, os que querem crer sem pertencer.

 

documento-de-aparecidaAPARECIDA ORIENTA

O documento de Aparecida no numero 370 nos chama a atenção: “Ultrapassar os limites de uma pastoral de conservação (manutenção) para uma pastoral decididamente missionária”.

            O que vem a ser isso? É anunciar e reanunciar Jesus Cristo, tantas vezes quantas forem necessário, colocando as pessoas em contato com Ele. Convidando-as para o seu seguimento. Por isso se faz necessário uma iniciação cristã profunda e motivacional.

 

 FINALIZANDO

            Mudanças de épocas são tempos profundamente libertadores. Eles ajudam a tirar a poeira que recebeu o evangelho, que são os costumes já ultrapassados pelo tempo.

INICAÇÃO CRISTÃ ONTEM E HOJE

            Após falar dos passos do catecumenato (iniciação cristã) na sua história inicial com os apóstolos até os dias de hoje, o padre Luiz comenta sobre a Iniciação Cristã o que abaixo transcrevemos.

            Etimologicamente a palavra “iniciação” vem do latim “in-ire”, ou seja, ir para dentro. Iniciação é o processo que se coloca alguém na condição de entrar em um novo estado de vida, numa comunidade.

            Iniciação é sempre iniciação ao MISTÉRIO, é mergulho pessoal no mistério.

Para a pessoa ter acesso aos divinos mistérios precisa ser iniciada a essas realidades maravilhosas através de experiências que a marcam profundamente. Assim entendido a iniciação não é só missão da catequese, é um trabalho de toda a comunidade, principalmente da dimensão litúrgica e dos ministros ordenados!

 

COMO SE FAZ A INICIAÇÃO?     

A Palavra e a Celebração foram essenciais para os discípulos conhecerem e reconhecerem Jesus. Afinal, como iniciar na fé sem as Sagradas Escrituras?

Partindo das Escrituras devesse chegar na vida. Para isso a catequese deve ir além do conhecimento de verdades e preceitos, ela deve entrar na dimensão bíblica, orante, celebrativa e relacionar-se profundamente com o ano litúrgico.

 

É hora de ouvirmos o apelo do documento de Aparecida que diz para “buscarmos novos e mais eficazes caminhos.”

catequese

AGOSTO - MÊS VOCACIONAL

12 de agosto de 2010

            vocacao

No mês de agosto, a Igreja nos convida a refletirmos sobre a vocação.       

A palavra “vocação” refere-se sempre ao ato de chamar, de escolher para algo ou para alguma missão.

Se buscarmos o sentido da palavra “vocação” no dicionário encontraremos definições como: ato de chamar, escolha, tendência ou inclinação, talento, queda, predileção.

Quando dizemos que alguém tem verdadeiramente vocação para algo, estamos querendo falar que ela leva jeito para o que faz, para determinada atividade, que faz bem feito e com facilidade, com talento e espontaneidade.

O primeiro fundamento de vocação  deve ser o chamado  a existência, à vida. Deus nos chama antes de tudo a sermos pessoas humanas realizadas e felizes, despertando para uma vivência plena da natureza social do ser humano.

 

O que se pode entender por decisão vocacional? Vocação?

Desde ainda muito jovens começamos a indagar sobre a nossa vida. O que faço no mundo? Que rumo tomar na minha vida? Para que as respostas sejam conscientes e profundas é preciso levar em conta o que Deus me fala.

   vocacao

           Para nós cristãos, a palavra vocação inclui saber o que Deus quer de mim. Quando nós falamos de vocação estamos falando de um chamado que supõe o encontro de duas liberdades: a liberdade absoluta de Deus, que chama, e a liberdade humana, que responde a este chamado. Responder ao chamado de Deus é servir numa atitude de escuta, diálogo, disponibilidade e fidelidade ao compromisso.

         Ao longo da história, Deus chamou muitas pessoas: Francisco de Assis, Teresa d´Ávila,  D. Oscar Romero, João Paulo II, Irmã Doroty, Zilda Arns, Denise, Priscila, Artur…

 

 A VOCAÇÃO É PESSOAL E DINÂMICA

 budista enterro

            Uma história para refletir: Conta-se que em uma aldeia bem no interior do Himalaia um mestre budista convidou um jovem para ser seu discípulo, mas este alegava que não podia, pois, a sua família dependia dele. O mestre quis fazer então, uma prova, para ver se isso era verdade. Ensinou-lhe um truque de ioga em que aparentemente ele simulava que estaria morto, diminuindo imperceptivelmente as batidas do coração. Isso ele o fez à noite. No outro dia o mestre foi ao velório do “morto”. Aí, o guru falou:

“- Eu tenho o poder de trazer ele de volta à vida, mas preciso de alguém para morrer no seu lugar. Quem se oferece como voluntário?

            Cada um dava um motivo para ficar vivo. Ninguém se habilitou a ficar no lugar dele, até que a irmã do “falecido” falou:

            “- Não há realmente necessidade de ninguém tomar o lugar dele. Nós nos arranjaremos sem ele.”

 

             Nesta pequena história vemos que não é pela vontade dos outros que devemos plasmar a nossa vocação. É um chamado pessoal, único, somente para mim. Mais ainda, a vocação  não é algo que se acrescenta á pessoa de uma hora para a outra. Ninguém nasce formado e acabado. Ela não é um vestido que se começa a usar em uma determinada idade.

    A vocação também é dinâmica. É a força que nunca está parada; ela sempre continua animando e motivando a vida do vocacionado. Conforme vamos dizendo sim ao nosso chamado vocacionado, vamos conhecendo mais o caminho que fazemos.

 

AS 3 ETAPAS OU DIMENSÕES DA VOCAÇÃO:

 

Estas etapas ou dimensões são interligadas entre si, que um deve ajudar a desenvolver o outro.

   vocação humana

- A VOCAÇÃO HUMANA. Todos os seres humanos são chamados. É o chamado á vida, a viver pessoal e comunitariamente os valores humanos da solidariedade, da liberdade, da autenticidade…  A pessoa humana se realiza com e dentro de relações de família, amizade, grupo de trabalho, comunidades, associações. Cada cidadão se sente chamado a participar da construção da sociedade.

  -  A VOCAÇÃO CRISTÃ.   Se realiza quando a pessoa vive sua vida à luz da mensagem cristã.   Toda pessoa é chamada a ser discípula e missionária neste mundo. Missão esta que recebemos no dia de nosso batismo.  As missões fazem parte do grande plano de Deus. É impossível ser cristão sem ser missionário.  Desde o nosso batismo todos somos convocados a sermos missionários na família, na comunidade, no trabalho…  Este é o desafio lançado a cada um. A partir do batismo, todos somos chamados à santidade, à fé, ao seguimento do Senhor, à graça. Todas as outras vocações nascem da vocação batismal.

vocacoes- VOCAÇÕES ESPECÍFICAS.    São as formas concretas através das quais as pessoas realizam sua vocação cristã e humana. Cada um de fato, é chamado a exercer seu serviço especial dentro da igreja:

vocacao laicala) VOCAÇÃO LEIGA:  Compreende um campo muito vasto, desde o engajamento num partido político e no mundo do trabalho, até os serviços na igreja, tais como: catequese, liturgia, pastoral da juventude, movimentos… Há três modos de viver esta vocação: ou no matrimônio, ou como solteiro ou como leigo consagrado.

ordenação do frei margon

b) VOCAÇÃO SACERDOTAL: São as pessoas marcadas pelo sacramento da Ordem, ou seja, os padres. Vieram do povo e, no meio dele, vivem como animadores e propagadores da proposta cristã.

vocação religiosac) VOCAÇÃO RELIGIOSA: É abraçada pelos homens e mulheres que pertencem às Ordens ou Congregações Religiosas. O estilo de vida e carisma inspiram-se em Cristo e no(a) fundador(a) da congregação. Caracterizam-se também pelos votos de obediência, castidade e pobreza e pela vida em comunidade.  

 

 Deus chama pessoas de todo tipo, de idades diferentes, casadas ou solteiras, homens e mulheres. Não podemos pensar que o chamado é só para um determinado estado de vida. Deus chama na vida de cada um e em diversas situações, quando menos o esperamos. Coloque-se diante de Deus, em silêncio. Reflita: como respondo aos apelos de Deus na minha vida? Onde Deus está me chamando? Como? Fale com Deus sobre seus medos, seu comodismo, sua falta de generosidade…

Fale com os catequizandos sobre a sua vocação para ser catequista.

  

Rezemos juntos pelas vocações:               

            Senhor da Messe e Pastor do rebanho, faz ressoar em nossos ouvidos teu forte e suave convite: Vem e segue-me!

            Derrama sobre nós o teu Espírito, que Ele nos dê a sabedoria para ver o caminho e generosidade para seguir tua voz.

           Senhor, que a messe não se perca por falta de operários. Desperta nossas comunidades para a Missão. Ensina nossa vida a ser serviço. Fortalece os que querem dedicar-se ao Reino, na vida consagrada e religiosa.

           Senhor, que o rebanho não se perca por falta de pastores. Sustenta a fidelidade de nossos bispos, padres e ministros. Dá perseverança a nossos seminaristas. Desperta o coração de nossos jovens, para o ministério pastoral em tua Igreja.

           Senhor da Messe e Pastor do rebanho, chama-nos para o serviço de teu povo. Maria, mãe da Igreja, modelo dos servidores do Evangelho, ajuda-nos a responder SIM.                                    Amém!

TERCEIRA SEMANA BRASILEIRA DE CATEQUESE - O LIVRO

11 de agosto de 2010

O LIVRO

Chegou até nós o novo livro da Terceira semana Brasileira de Catequese.

            A TSBC aconteceu em Itaici, Indaituba (SP) de 6 a 11 de outubro de 2009 e foi o ponto alto do Ano Catequético. O tema do encontro foi:

“Iniciação à Vida Cristã”.

Só lembrando a primeira semana (1986) teve como tema: “Fé e Vida em Comunidade” e a segunda: “Com Adultos, Catequese Adulta”, que foi em 2001.

            Neste três encontros a idéia sempre foi: dar novo impulso á catequese como serviço eclesial e como caminho para o discipulado.

            O documento quer ser um auxilio aos mais de 800 mil catequistas presentes em nossas comunidades.

            Nesta TSBC estavam presentes 465 participantes, 223 leigos (as), 121 presbíteros, 6 diáconos, 88 religiosos (as), 25 bispos e 2 cardeais, representando as dioceses e regionais.

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 Como metodologia o encontro se dividiu em três etapas:

 

VER: Momento em que se olhou os desafios de nossa época; que mais que “uma época de mudança, vivemos uma mudança de época”.

 

ILUMINAR: Com a Bíblia na mão (livro da catequese por excelência) palmilhamos o caminho de discipulado já usado por Jesus.

 

AGIR: Aqui o encontro nos oferece reflexões para a formação de catequistas neste contexto iniciático, numa pastoral que leva a um encontro pessoal com Cristo.

 

Por ser um documento valioso para a nossa catequese e toda a nossa comunidade vamos resumir logo mais os três passos, para que esta nova forma de evangelizar também arda no nosso coração como nos estimula o lema do encontro deste ano que diz:

“Nosso coração arde quando ele fala,

explica as Escrituras e

parte o pão”.

o lema