Vamos ver agora a segunda parte da Terceira Semana Brasileira de Catequese que foi apresentada por alguns palestrantes, vamos resumir as palestras do frei Carlos Mesters e Francisco Orofino.


Na primeira parte contemplamos a realidade atual em que vivemos, agora vamos analisá-la com a Bíblia nas mãos. Para que ela possa se
ILUMINAR
A EXPERIÊNCIA DO ENCONTRO PESSOAL COM JESUS
Jesus foi catequista e catequizando, antes de ser um bom mestre ele foi um bom discípulo. Não devemos ver Jesus sendo formador nos três últimos anos de sua vida e os demais como um formando. O formador se forma formando os seus discípulos. O formando se forma convivendo com seu formador.

UMA NOVA EXPERIÊNCIA DE DEUS
Para melhor conhecermos esta nova etapa de ver a realidade com os olhos da Bíblia voltamos no tempo do profeta Isaias. Em 587 a.c. Nabucodonosor, invadiu a Palestina e acabou com o Templo. O povo teve então que se refugiar em suas casas e foi neste espaço que eles viviam agora a sua fé. Por isso Isaias faz alusão a Deus usando palavras com pai, mãe, marido, irmão mais velho… Deus agora estava “em casa”. É este Deus que Jesus vai nos mostrar.
Olhando o grupo de catequese de Jesus aprendemos que ela tem suas características próprias, vejamos algumas:
1- ACOLHER COM TERNURA – Não basta impor preceitos, é necessário curar as feridas do coração, acolher com ternura e bondade. Deus é um Deus terno.
2- DIALOGAR DE IGUAL PARA IGUAL – Escuta e diálogo. Conversar e fazer perguntas ajudar a refletir sobre os fatos, este é o jeito que Jesus evangelizava. Isso é próprio de quem se sente discípulo e não dono da verdade. Saber ensinar e aprender com os outros.
Jesus usava Parábolas para incentivar as pessoas, não dava tudo pronto.
É bom para o catequizando saber que o catequista acredita nele e na sua capacidade de assimilar.
3- REUNIR O POVO PARA REZAR A DEUS E FALAR DA VIDA - O fim da nossa missão é congregar o povo para Deus, reunir em comunidade e juntos partilhar a vida de cada dia.
Antes de passar uma doutrina, Jesus passava uma experiência de Deus e da vida que ia de Jesus aos discípulos e dos discípulos ao povo.
4- REUNIR PARA ENVIAR – A convivência ao redor de Jesus, acabava no envio à Missão. Sem receber uma missão o chamado se torna vazio de sentido e direção.
5- NASCEM PARA O SERVIÇO – O grupo de Jesus se distanciava dos outros porque se interessava pelos pobres e excluídos. Ele criava nas pessoas uma consciência de serviço.
6- PARTILHA DOS BENS – No grupo de Jesus ninguém tinha nada de próprio mas havia uma caixa comum para todos e até para os pobres.

JESUS ENSINAVA COM PARÁBOLAS
Ele inventava história com as coisas da vida do povo para explicar as coisas de Deus. Isto supõem duas coisas: conhecer bem o povo e Deus.
As parábolas são uma forma participativa de ensinar e de educar. Não dá tudo pronto. Não faz saber, mas faz descobrir. Faz a pessoa refletir sobre si mesma. A parábola provoca a pensar. Ela leva a pessoa a se envolver na história a partir da sua própria experiência de vida.
Um bispo perguntou numa reunião da comunidade: “Jesus falou que devemos ser como sal. Para que serve o sal?” discutiram e, no fim, partilhando entre si suas experiências com o sal, encontraram mais de dez finalidades para o sal. Aí eles foram aplicar tudo isto à sua própria vida e descobriram que ser sal é difícil e exigente! A parábola funcionou e ajudou-os a dar um passo. Iniciaram a travessia em direção ao Reino!
JESUS ERA UM FORMADOR ATENTO
Não é porque a pessoa andava com Jesus que ela já era santa e renovada. O fermento dos fariseus (Mc 8,15) estava no coração do povo, e Jesus sabia disto. Hoje é o “fermento do consumismo”, que de nós exige uma vigilância constante.
Vamos ver alguns casos em que Jesus orienta seus discípulos:
a) Mentalidade de Grupo Fechado.
Alguém fazia milagres e não era do grupo de Jesus, João viu e proibiu. O Mestre lhe diz: “Não impeça! Quem não é contra é a nosso favor!” (Lc 9,39-40). O que vale não é se a pessoa é ou não da comunidade, mas que ele faça o bem.
b) Mentalidade de quem se considera superior aos outros,
Certa vez os samaritanos não quiseram dar hospedagem a Jesus. Os discípulos quiseram reagir violentamente: “Que desça fogo do céu”. (Lc 9,54). Achavam que todos deviam acolher o Mestre. Que estando ao lado de Jesus deveriam ser tratados melhores do que os outros. Jesus os repreendeu: “Vocês não sabem de que espírito estão sendo animados” (Lc 9,55).
c) Mentalidade de competição e de prestigio,
Os discípulos brigavam pelo primeiro lugar (Mc 9,33-34). Jesus convida a mudar este pensamento: “O primeiro seja o último” (Mc 9,35). Servir e não ser servido, é o ideal cristão.
d) Mentalidade de quem marginaliza o pequeno.
Os discípulos tentam afastar as crianças, Jesus exclama: “Deixai vir a mim as crianças!” (Mc 10,14).
e) Mentalidade de quem segue a opinião da ideologia dominante.
Vendo um cego os discípulos perguntam a Jesus: “Quem pecou os seus pais, ou ele, para nascer assim?” (Jo 9,2). Jesus os ajuda a ter uma visão mais critica da realidade: “Nem ele nem seus pais, mas para que nele se manifestem as obras de Deus” (Jo 9,3). A resposta de Jesus supõe uma consciência nova e uma leitura diferente da realidade.
Assim vemos que Jesus não se enganava com a cara de santinho do seu grupo, sabia do fermento que podia estar dentro de cada um, e tratava de curar pela raiz.
Vamos agora ver os recursos didáticos que o Mestre usou:
_ Testemunho de vida – Pregou com a vida. “Venham e veja!” (Jo 1,39). Ele se mostra em tudo fiel ao Pai, tanto no anuncio como na vida.
_ Sintoniza com a vida e com a natureza – Mesmo vivendo num mundo violento e de guerra Jesus convida os discípulos a ver a misericórdia do Pai na natureza e no seu dia a dia. (MT 5,45; 6,26-30).
_ Ensina em todo lugar – Onde havia gente para escutar aí estava o Mestre para ensinar. Nas sinagogas (Mc 1,21) nas casas dos amigos (Mc 2,1.15), na praia (Mc 4,1), no deserto (Mc 1,45), na montanha (MT 5,1).
_ Momento a sós com os discípulos - Fica alguns momentos a sós com eles para descansar (Mc 6,31) ou para instruí-los (Mc 8,22-10,52).
_ Uso da Bíblia – Jesus orientava a sua vida e sua missão pelas Sagradas Escrituras. Ele a conhecia de cor e salteado, era o seu principal manual de catequese.
_ Cruz e sofrimento – Não escondia que a dor existe, não prometia só rosas. Ajudava-os a superar o escândalo da cruz (Mc 8,31-34).
_ Jesus reza – São inúmeros os momentos de oração do Mestre. Rezava com o povo e na solidão (Lc 4,1-2; 10,21; Mc 1,35; Lc 9,28; 9,16; MT 26,38). A vida de Jesus era uma oração permanente.
