Fazer uma dedicação a alguém é dizer: “Eu te amo”. O mês de maio nós dedicamos às mães. Quem de nós não tem um afeto especial por sua mãe? Quem não sente um carinho filial por ela? Mas em especial lembramos este mês a Mãe das mães, a Virgem Maria. Ela que soube tão bem ser fiel ao seu Deus. E a Igreja a proclama feliz (bem-aventurada)e pudera, se é a própria Bíblia quem diz isso: “Todas as gerações me chamarão de bem-aventurada, pois o Todo-Poderoso fez grandes coisas por mim” (Lc1,48). Maria foi especial, porque o seu chamado foi especial, foi escolhida por Deus, ele a preferiu entre todas (Sl 44), pois a sua missão foi a mais importante que já houve: ser a Mãe do Salvador.
Ao se ver escolhida pelo Senhor, Maria, não optou ficar sentada em um trono de ouro para ser servida pelos outros, ela, ao contrário, se colocou ao alcance de todos, foi ao encontro do necessitado, que vemos na figura de sua prima Isabel.
Vejamos este belo hino que Dom Helder fez a Nossa Senhora da Visitação:
“Maria, mãe de Cristo e da Igreja. Ao preparar-nos para a missão evangelizadora que nos cabe continuar, alargar e aprimorar, pensamos em ti. Mas de modo especial, pensamos em ti pelo modelo perfeito de ação de graça, que é o hino que cantaste, quando tua prima, Santa Isabel, te proclamou a mais feliz dentre as mulheres. Não paraste na tua felicidade, pensaste na humanidade inteira… Pensaste em todos.
Mas assumiste clara opção pelos pobres, como teu Filho faria depois. Que há em ti, em tuas palavras, em tua voz, que anunciou no Magnificat a deposição dos poderosos e a elevação dos humildes, o saciamento dos que têm fome e o esvaziamento dos ricos,
e ninguém ousa julgar-te subversiva ou olhar-te com suspeição?…
Empresta-nos a tua voz, canta conosco!
Pede a teu Filho, que em todos nós se realizem, plenamente,
os planos do Pai!”
Coroar Nossa Senhora é se declarar a favor dos mais fracos, dos excluídos, dos “supérfluos” e dos “descartáveis” (Documento de Aparecida 65). Se coroamos Maria, a fazemos nossa Rainha e nós seus súditos. Se dizemos que ela é nossa mãe atentemos o que diz o documento de Aparecida (268): “Como na família humana, a igreja-família é geradora ao redor de uma mãe, que confere “alma” e ternura à convivência familiar, Maria, Mãe da Igreja, alem de modelo e paradigma da humanidade, é artífice de comunhão… Ele atrai multidões à comunhão com Jesus e sua Igreja, como experimentamos muitas vezes nos santuários marianos”.
A Igreja desde o seu início se movimentou em torno do binômio Pedro-João. E Maria onde estava? Na casa de João. Não é preciso forçar muito a imaginação para concluir dedutivamente que a Igreja girava em torno de Maria e que ela seria a verdadeira animadora daquele grupo perseguido. Maria soube no silêncio fecundo ser aquela força inspiradora do ideal de seu Filho, como em Caná, como no pé da cruz. Foi a mãe que ampara a família, mas quem aparece é o filho.
O verdadeiro amor filial pela mãe não é somente aquele que enaltece a mãe pelas suas palavras, mas sim, pelas suas atitudes e gestos. Como nos orientou o Papa Bento XVI quando esteve em Aparecida (12 de maio de 2007): “O papa veio a Aparecida com viva alegria para dizer em primeiro lugar: PERMANEÇAM NA ESCOLA DE MARIA. Inspirem-se em seus ensinamentos. Procurem acolher e guardar seus ensinamentos”.